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Entrevista com Oséias Gomes de Moraes por Revista FIX



Como o sr. analisa, sendo empreendedor de uma franquia de sucesso, o momento do País? Existe uma crise político-econômica?

Não podemos, de modo algum, virarmos as costas para o momento de instabilidade, pois quando um País está em crise, temos justificativas melancólicas para amparar a falta de ações proativas. Muitos empresários, por ausência de capacidade em gerir o próprio negócio, acabam jogando o “bebê junto com a água do banho”, tomam decisões em reduzir custos onde na verdade tal atitude reduz a empresa. Em momentos de incerteza precisamos de boas ideias e que estas sejam implantadas, para que sejamos diferentes. Faço uma análise ao mercado e percebo que as pessoas estão cansadas do habitual e rotineiro, pois o empresário visionário que suportará as crises, será aquele que não andará em manadas, pois os que ignoram a manada podem aplicar uma lógica fria à sua situação e pensar adiante, em direção a possíveis cenários futuros.

Também entendo que a crise político-econômica será mundialmente mais frequente, certo é que se analisarmos a economia mundial ela vem de 3 M´S: o primeiro M foi dos Mares, quem se lembra das grandes navegações que enriqueceu muitos países como por exemplo o tratado de Tordesilhas, o segundo M foi pós-guerra: revolução com as Máquinas, que com o avanço tecnológico acelerou a produtividade gerando maiores riquezas e o terceiro M é das Massas, onde países com capacidade de consumo hoje são a grande vitrine econômica mundial, há 15 anos era bonito falar que fez uma viagem à Suíça um país com uma boa qualidade social e econômica porém, com uma população muito pequena, fazer visita a este país hoje só se for para comer chocolate ou comprar relógios (risos), em mesma época, dizer que foi à Índia ninguém entenderia, pois tratava-se da classe mais desprezada da história, no entanto, hoje falar que foi à esse País é sinal de implantar novos negócios, afinal é um País de grande massa e poder de consumo, fica a dica. Ainda se fizermos um estudo, por alto, que as máquinas produzem cada dia mais e nascem menos pessoas, evidente a recessão e com esta, a crise se torna cíclica. Esse ajuste de produção x consumo, tem feito as alíquotas de lucro serem cada vez menores tornando vulnerável empresas de renome por não terem capacidade de resistência.

No que se refere a crise político-econômica brasileira, esta é oriunda de uma colcha de retalhos, leis são aprovadas sem se levar em conta o quanto custam para que atinjam a eficácia pretendida. Estudos realizados nos mostram que um provedor de família perde o sono quando lhe falta dinheiro, mas se ele se tornar abastado rapidamente, também perderá o sono, pois sente necessidade de materializar seu dinheiro, por exemplo, trocar de carro, casa, quem sabe comprar um iate... é fato que na cultura brasileira nossos gestores, cometeram o mesmo erro quando tiveram dinheiro em tempos de vacas gordas, não souberam administrá-lo, sentindo árduo desejo de gastar.

Apenas por exemplo, nos EUA, para um aluno ter benefício financeiro do governo, ele precisa apontar um nível de excelência, no Brasil, tem-se o ENEM, mas infelizmente, até poucos dias atrás isso não tinha regras. Ainda, continuando, o Brasil com seus dotes de assistencialismo, criou o seguro desemprego, sem regras, ou agora, com regras generalizadas, gerando comportamento fraudulento entre empregador e empregado, para que este último recebesse o “benefício”. E o que falarmos da vaca sagrada da política brasileira chamada Bolsa Família, que desde já digo que sou favorável a concessão desses benefícios, pois geram nivelamento social mas, acredito, que precisam ser criados limites para concessão destes benefícios, pois existem pessoas que desfrutam dessa assistência a mais de uma década, portanto, é a hora de rever esses conceitos. Evidentemente ninguém imagina acabar com o Bolsa Família de uma hora para outra, mas afirmo, o governo não deveria de encarar essa linha do orçamento como algo intocável e perpétuo. É preciso criar limites e estabelecer regras, caso contrário, segundo os especialistas, teremos uma bomba relógio fiscal para daqui 15 anos, que fará a crise de hoje ser ínfima a de 2031, pois estamos falando de aproximadamente 14 milhões de família, que significam, por baixo, 45 milhões de pessoas, representando, a título de comparação, ¼ da população brasileira, vivendo as custas do nosso dinheiro. Para encerrar o Bolsa Família, segundo estudos, o déficit da economia brasileira para 2016 será de, aproximadamente, R$ 29,5 Bilhões, que refere-se ao valor aproximado dos pagamentos deste benefício.

Ficam aqui apenas alguns exemplos de crise político-ecônomica, fazendo meu apelo à posição e oposição política: “está na hora de tomar atitudes impopulares se quiserem salvar a nação. Outrossim, não sou político partidário, nem tenho pretensões, por isso me sinto confortável em falar tudo o que penso e conheço.”

 

Quais os nichos de mercado que mais vêm se adequando à nova realidade brasileira? E o que fazer para se tornar competitivo?

Os mercados que vêm se destacando e que se prospecta, desde algumas décadas, crescimento sólido e sustentável, são a venda de serviços, tendo como exemplo, a gigante GE – General Electric, que partiu de U$ 14 bilhões de capital com venda de produtos para U$ 600 bilhões em duas décadas agregando serviços aos seus produtos, conforme testemunho do erudito Jack Welch. Também merecem destaque a venda de alimentos e entretenimento que, sendo estes segmentos e precedidos de uma grande inovação, que gere o desejo de desejar em seus clientes, isto é, provocando uma nova cultura. Observação: trago como exemplo a Gillette, que através do grande campeão de surf Gabriel Medina gerou um novo mercado cultural onde ele está ensinando os homens não somente fazer a barba mas, também, rasparem os pelos da barriga e do peito através de uma ação publicitária (risos). Criar diferencial para ser competitivo depende de uma inovação revolucionária, da qual falarei adiante, pois os clientes “estão cansados de consumir mais do mesmo”.

 

Quais as dicas que o sr. revelaria, dentro do seu processo de crescimento como empresário, para alavancar os negócios de nossos leitores?

Primeiramente o empresário precisa avaliar o seu segmento para saber se ele está em fase crescente, declínio ou de transição. Pois falo com veemência que uma empresa tem que se inovar todos os dias, seja qual for seu ramo.

Entendo que hoje vivemos três tipos de inovação as quais vale a pena explicar: 1ª INOVAÇÃO DE EVOLUÇÃO: vou deixar aqui um exemplo, imagine o carro que você tem na garagem e no ano seguinte quer trocá-lo pelo mesmo modelo e percebe que foram aprimorados apenas as lanternas e frisos, isso é uma inovação de evolução que não gera contentamento para uma ação motivadora para uma nova compra (este tipo de inovação está com os dias contados); 2ª INOVAÇÃO REVOLUCIONÁRIA: agora você volta na concessionária para trocar de carro, imagine que tem um Honda Civic LX, e se não me foge a memória, em 2008, você se depara com a inovação revolucionária: o NEW CIVIC totalmente remodelado, com design futurístico que garantiu a Honda permanecer, por longa data, no topo de vendas neste segmento conforme pesquisa apontada pela revista Quatro Rodas. Para você amigo empresário, este é o modelo de pensamento que deve gerir suas ações, para se manter em processo crescente e contemporâneo de mercado, procurando sempre trazer algo revolucionário, atendendo uma nova necessidade ou um novo desejo de seus clientes criado pelo seu produto; 3ª INOVAÇÃO DISRUPTÍVEL: esta é a mais severa de todas. Quando alguém lança algo que tira seu produto do mercado. Exemplo: imagine se hoje você fosse proprietário de fábrica de papel jornal o qual está em decadência, imagine se a grande KODAK não aderisse a novos segmentos e ficasse na produção de filmes de máquinas fotográficas (que se frise, era potencia mundial neste segmento), a mesma estaria fadada ao fracasso, pois seria engolida pelas máquinas digitais.

Deixo aqui uma observação ao amigo leitor, observe se a sua concorrência está fazendo algo que tirará você do jogo, pois nos dias de hoje as coisas acontecem tão rápido que você vai deitar se sentindo Steve Jobs e acorda se sentindo Nabucodonosor (risos).

Falando um pouco do mercado de transição, este é um berço de oportunidades temporárias e, muitas vezes, com boa rentabilidade, pois merecem pouco investimento por residirem no mercado com dia e hora marcados para saírem, como por exemplo, Lan House, quem não conhece alguém que esta com os galpões cheios de equipamentos tecnologicamente ultrapassados, obsoletos, dado fato é que, este mercado seria disseminado através de propostas de internet gratuita e oferta de computadores baratos. Sobre a internet gratuita vale ressaltar que esta era apenas uma armadilha, pois tendo você comprado um computador vai ter de investir em uma internet de maior qualidade, portanto, adeus empresários de Lan House. Sendo assim amigo empresário, invista em algo promissor, que gere lucros maiores em mercados de pouca concorrência, através da inovação revolucionária.

 

Como devemos proceder para gerar uma equipe coesa e que tenha em mente bem definido seu papel na organização? Como mantê-los?

Atualmente precisamos de uma gestão de processos bem definida. Gestão nada mais é do que dizer a seus colaboradores para onde vamos, como vamos e o que faremos, somente assim teremos seguidores. Não há mais espaço para a conduta do patrão fazer cara feia, não sentar-se a mesma mesa, para se fazer respeitar, o que a grosso modo, seria o mesmo que tratar pessoas com a mão no cabo do facão. O empresário moderno precisa investir em capacitação de pessoas, e ao meu ponto de vista, investir em meritocracia, ou seja, reconhecer o coletivo, mas também premiar a individualidade. Cabe aqui uma frase de reflexão: “quem sou eu dentro do nós”, isso chama-se gestão de responsabilidade. Para manutenção de equipe devemos ser inteligentes e sensíveis as atitudes que controlem e minorem o “turn over” de colaboradores. No passado as pessoas tinham orgulho em mostrar sua carteira de trabalho e ostentar o fato de que passaram a vida inteira trabalhando na mesma empresa, portanto, devemos ter em mente que os colaboradores não são patrimônio da empresa mas sim valores da empresa.

 

O que o sr. poderia comentar sobre a carga tributária brasileira bem como a corrupção no País?

Entendo que todos nós que vivemos nesta nação precisamos pagar nossos impostos. O que vejo falho na estrutura é a contrapartida do poder público para com o contribuinte. Sabemos que somos sujeitos a uma das maiores cargas tributárias mundiais e que se levar em conta os países paradigmas neste tocante, veremos que o que pagamos x o que recebemos em troca é discrepante. Como empresário, faço minha parte, acreditando que teremos, um dia, uma política de responsabilidade na administração do dinheiro público, o qual deveria garantir segurança jurídica, segurança social, educação e viabilizar desenvolvimento.

Vale também ressaltar que, os problemas da nação não serão resolvidos com aumento de impostos, estes somente vão sepultar a grande possibilidade de sairmos do caos que estamos, afinal, são as empresas quem geram empregos e por meio destes distribuem renda e injetam dinheiro no mercado, mas, apesar disso, não vemos proteção ou flexibilização do legislador para manter o salvador da pátria: o empresário.

 

Para concluir, gostaríamos que o sr. falasse de Franquias e quais as armadilhas para este mercado:

Ao falarmos de franquia, todos os dias vemos muitas nascerem e mais ainda morrerem. Quando você lança uma franquia deve de ter a responsabilidade e convicção de que muitos irão depositar confiança em seus conhecimentos e que você se trata de um case de sucesso. Toda franquia em nível de cruzeiro ou de maturidade terá unidades franqueadas de sucesso, bem como, algumas que não darão certo e, na maioria das vezes, por falta de perfil e disciplina do franqueado.

Existe uma doença de origem grega que ataca empresários, políticos e artistas chamada húbris, ela é uma forma de orgulho em que o indivíduo perde contato com a realidade, levando o mesmo a convalescer. Muitos impelidos de orgulho e vaidades extremas, por não terem conexão com sua realidade, se vislumbram com coisas grandiosas e fantasiosas bem como grandes franquias, grandes redes e mix de negócios dispersos e, pior de tudo, querem atrair e rebanhar pessoas para um modelo de negócio sem história, plano estratégico mal definido, se tornando uma armadilha catastrófica para seus seguidores/franqueados ou investidores.

No meu entender existem dois tipos de franquia: 1º Franquias de Duplicação: quando falamos do modelo de duplicação, estas se referem a franquias de produtos, onde o controle diminuirá a administração de conflito, se o produto for controlado da fabricação ao controle de estoque pela franqueadora, gerando transparência, mas não acredito em franquias que vendem receita, cursos de fazer sobrancelhas, entre outros, e não conseguem gerir o trabalho desde sua origem (estes franqueadores não dormem). 2º Franquias de Multiplicação: tem como primazia a venda de serviços, gerando métodos de capacitação e através de trincheiras de gestão, controlam a legitimidade para gerar saúde na relação franqueadora e franquia, onde a Odonto Excellence reside. Deixo minha orientação a todos que desejam dividir com pessoas seu conhecimento, ao lançar sua franquia tenha convicção e discernimento de que tem algo perene e constante, com fácil administração a distância, com tomada de atitudes racionais e serenas, pois abarca também em seu negócio sua credibilidade, afinal, não se deve brincar de franqueadora com o dinheiro alheio.